Mafia II

Agosto 30th 2010

Histórias sobre famílias italianas e o crime organizado nos Estados Unidos tem sido mais do que contadas ao longo dos anos. A prática foi mostrada em diversas mídias, como o cinema, com o filme “O Poderoso Chefão”, e na série de TV “Família Soprano”, mostrando uma comunidade fechada e membros que respeitam a hierarquia.

Palavras como confiança, respeito e honra fazem parte do manual do bom mafioso e nenhum jogo conseguiu traduzir esses conceitos tão bem quanto “Mafia”, da 2K Games, lançado em 2002.

“Mafia II”, esta continuação, acontece entre as décadas de 40 e 50 na cidade fictícia de Empire Bay e tem como foco o conflito entre três famílias italianas que lutam para manter o controle do crime organizado da região. Enquanto os velhos chefes se satisfazem com golpes, empréstimos e cassinos ilegais, os mais jovens se aventuram para conseguir enriquecer rapidamente com praticas mais perigosas, como assaltos a joalherias e tráfico de drogas.

É claro que isso chama a atenção e logo começa a guerra entre os clãs. E isso é presenciado por Vito Scaletta, o protagonista Zé Ninguém que trilha o caminho para se transformar em um dos homens mais importantes da cidade.

“Mafia II” proporciona uma verdadeira viagem no tempo. O cenário é belíssimo, rico em detalhes, e mostra uma grande metrópole americana da época. A Segunda Guerra Mundial é o assunto do momento: as rádios trazem notícias dos acontecimentos no Velho Mundo, ruas apinhadas com cartazes do exército recrutando homens para lutar pela paz mundial e, claro, carros típicos do período andando morosamente pelas avenidas. Mas não é só por fora que os detalhes impressionam, dentro das casas e comércios é possível ver o cuidado minucioso da equipe de produção em criar a atmosfera perfeita.

Mas Empire City não foi feita para divertir os fãs de “Grand Theft Auto”. Lá não existem centenas de missões paralelas e distrações para tirar o foco do jogador. Entretanto, a impressão é que lá é uma cidade tão viva quanto Liberty City. Basta reparar nos pedestres e ver que eles saem de um lugar e vão para outro como se tivessem um objetivo em mente.

O foco é ainda reforçado pela história contada em capítulos, que dão ao jogador a importante sensação de progressão e um apego maior ao enredo que é construído.

Caporregime

As missões seguem o padrão aplicado pelo primeiro título da série, com longos trechos para serem percorridos de carro, só que dessa vez sem a implicância constante da polícia. Porém, é difícil não notar a grande influência estabelecida pela série “GTA”.

Na maioria dos casos, o jogador deve seguir para um ponto da cidade, fazer o objetivo (que é matar, roubar, extorquir, explodir ou entregar um item) e depois seguir para o ponto B. Ainda assim, é possível ver que os desenvolvedores elaboraram uma série de missões típicas de mafiosos, como enterrar corpos e mutilar inimigos, mantendo assim uma identidade própria e marcante.

As mecânicas do jogo também seguem o padrão do gênero, mas o sistema de cobertura é um pouco duro e pode atrapalhar em espaços apertados. A 2K Czech tentou inovar ao colocar um sistema de combate desarmado bem elaborado, além de colocar diversas situações de trocas de tiro empolgantes e desafiadoras, o que mantém o interesse sempre em alta.

Na maioria das tarefas, Vito está acompanhado de Joe, amigo de infância. A ajuda dele não chega ser crucial, pois o companheiro controlado pelo computador sempre deixa a tarefa de eliminar os adversários por conta do jogador, mas é importante para complementar a narrativa e dar dicas ao jogador do que fazer em seguida.

A força policial é paradoxal. Os homens da lei não fazem o menor esforço para prender Vito. Para eles, mafioso bom é mafioso morto. Não é fácil escapar dos homens de azul a pé, pois eles não poupam munição nem se importam se há civis por perto. Já a bordo de um carro, o protagonista consegue escapar sem derramar uma gota de suor. Basta fazer uma curva fechada em uma rua estreita ou dar meia volta em uma avenida congestionada para que eles se percam.

Existem alternativas para despistar o longo braço da lei, como pintar o carro com outra cor, trocar a placa ou fazer um suborno, mas esses “serviços” são caros e até dispensáveis.

CONSIDERAÇÕES

“Mafia II” tem um grande foco na narrativa e agrada os fãs de histórias do gênero, mas ele não se sustenta apenas pela história. As mecânicas foram construídas para manter o interesse do início ao fim, o que o diferencia de ser classificado como um clone de “Grand Theft Auto”. Mesmo que o título não seja perfeito, seus problemas não maculam a excelente experiência de presenciar uma aventura típica e fascinante do crime organizado italiano.

por Rodrigo Guerra, postado no UOL Games.

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